Entrevista com Paola Nogueira
Postado em 18.06.2015 às 21:54.

A entrevista foi feita com a Paola Nogueira, ex-edit de 2004 e uma das idealizadoras da OR.

1- Quais foram as maiores dificuldades encontradas para o desenvolvimento do projeto da Originais Reprovados e as dificuldades na “confecção” da primeira revista?

Se desenvolver o projeto de qualquer nova publicação já envolve dezenas de questões que sempre precisam ser definidas (qual a tiragem, a periodicidade, a previsão de custos, o preço final, o formato, o número de páginas, como será o projeto gráfico, qual será a linha editorial…), acho que esse número é triplicado quando a maioria dos participantes do projeto está nos primeiros anos da graduação! Nós não sabíamos quase nada… como pedir um ISSN, como fazer um contrato, como montar um cronograma, como pedir um orçamento, como negociar preço com a gráfica?! Acho que tivemos todas as dúvidas possíveis… Em relação à “confecção” da primeira revista, depois da escolha do nome (que foi um longo processo), sem dúvidas a maior dificuldade que tivemos foi com o prazo da impressão! Marcamos e divulgamos o dia do lançamento, mas acabamos atrasando um pouco para mandar os arquivos para a gráfica e, além disso, o nosso contato na gráfica simplesmente desapareceu por mais de uma semana… resultado: no dia anterior ao lançamento, descobrimos que a gráfica não ia conseguir nos entregar as revistas a tempo!!! Depois de muito desespero, conseguimos convencê-los a nos entregar pelo menos os miolos das revistas até as 18h do dia do lançamento (que estava marcado para as 18h!), mas segundo eles as capas jamais iriam secar a tempo. Nossa capa original simulava uma pasta dessas de papelão vermelho, que seria como as pastas onde os editores guardavam os originais reprovados… então pensamos: se não dá para guardar os originais em uma pasta, vamos guardar em envelopes! Saímos correndo para a Kalunga, compramos 500 envelopes pardos e conseguimos uma gráfica rápida que topou imprimir o logo da OR nos envelopes de um dia para o outro… no dia do lançamento, faltando uma hora para começar o evento, fizemos um mutirão na Com-Arte para colocar os 500 miolos dentro dos 500 envelopes e fechar todos eles com adesivos! Nem acreditamos que no fim deu tudo certo, com poucos minutos de atraso…

2- Como surgiu a ideia da OR?

A ideia da OR nasceu de uma conversa entre eu e a Fabiane Zorn (também de 2004), em uma tarde na sala da Com-Arte. A gente estava viajando sobre como era dificil para os novos autores conseguirem um espaço nas grandes editoras, sobre como mesmo na USP devia ter muita gente que escrevia, mas que não tinha como divulgar os próprios textos, sobre como nós, editorandos, poderíamos ajudar nisso, quando tivemos uma ideia completamente megalomaníaca… pensamos em montar barraquinha na frente do bandeijão central, como aquelas que vendem livros usados,mas que fosse uma espécie de biblioteca, com impressões caseiras dos textos dos alunos da USP! Pensamos em tudo, faríamos um esquema de carteirinhas para os empréstimos, armários para guardar os textos, plantões para ficar na barraquinha… chegamos até a ir no bandeijão para conversar com os livreiros e perguntar qual era a burocracia para colocar uma mesinha lá! Mas aí começamos a pensar nos problemas… quem ia ficar nos plantões? E se alguém copiasse um dos textos de outra pessoa e resolvesse publicar como sendo dela? Com que dinheiro a gente ia bancar as impressões? E se ninguém devolvesse os textos? Não era uma ideia nada prática, então acabamos deixando ela de lado por um tempo… até que um dia, em uma aula da Samira que falava sobre a publicação de revistas e periódicos, eu e a Fabi tivemos quase uma transmissão de pensamento: é claro, uma revista literária, como não pensamos nisso antes?! Nessa época, a nossa gestão da Com-Arte Jr. queria bastante que a júnior não fosse apenas uma empresa prestadora de serviços, mas que pudéssemos usar o pouco dinheiro que ganhávamos para investir em publicações que a gente acreditasse, então decidimos levar a ideia da revista para a nossa reunião semanal e todo mundo gostou… e foi assim que a OR nasceu!

3- Qual foi a participação dos professores na construção do projeto?

Uma das principais ideias no início da Originais foi que ela fosse uma publicação feita totalmente por nós, sem a participação de nenhum professor, pois já tínhamos os três semestres da Com-Arte (disciplina) para editar obras com a orientação dos professores e queríamos ter liberdade para tocarmos o projeto da maneira que achássemos melhor. Acho que a única ajuda que tivemos na primeira edição foi a do professor Rodrigo Salinas, de Direitos Autorais, que nos ajudou a elaborar o modelo de contrato para os autores.

4- Como foi a recepção da ideia por parte dos alunos da USP?

Bom, a primeira edição teve uma divulgação bastante tímida… na época as redes sociais ainda eram uma realidade muito distante, então a comunicação de que estávamos recebendo originais e também da data de lançamento da revista foi feita principalmente só com cartazes nos pontos de ônibus e com pequenas notas no JECA, no Jornal da USP, no USP Online e no PublishNews. Levando isso em consideração, acho que a recepção da ideia por parte dos alunos foi bastante positiva, porque mesmo com pouca divulgação recebemos vários textos, tivemos pessoas presentes no lançamento e conseguimos vender todas as revistas!

5- Chegaram um número razoável de textos na primeira edição?

Na primeira edição recebemos aproximadamente 300 textos, de cerca de 30 autores diferentes.

6- Você ainda acompanha as ORs das turmas posteriores?

Claro! Tenho (e li) todas!

7- Você acredita que o projeto da revista precise de uma revitalização para a próxima década? Na sua opinião, o projeto inicial foi descaracterizado ao longo dos últimos anos?

Acho que o projeto inicial não foi descaracterizado, não! Acho que inclusive ele foi melhorado… mas é sempre bom repensar se o modelo de publicação que adotamos há 10 anos atrás ainda faz sentido, porque o mercado editorial mudou muito nessa última década. Com todas as novidades digitais, hoje existem muitos outros caminhos para quem quer começar a escrever e divulgar os seus textos do que quando começamos a revista, onde o papel era praticamente a única possibilidade… então eu acho que vale a pergunta: será que ainda existe essa demanda por parte dos estudantes da USP, de verem os seus textos publicados em um veículo impresso? O que será que ainda hoje pode atrair um autor a mandar o seu original para a revista, ao invés de se autopublicar ou de divulgar o seu texto em um blog, por exemplo?

8- Para você a revista é um estímulo para autores iniciantes?

Talvez a minha resposta anterior tenha soado um pouco pessimista, mas não é isso. Eu, particularmente, ainda acredito que a revista seja sim um estímulo para autores iniciantes! Independente de toda essa discussão sobre os espaços de publicação, acho que existe uma questão anterior que é a de que muitos autores iniciantes têm curiosidade de saber a opinião das outras pessoas sobre os seus textos, mas muitas vezes não têm coragem de mostrá-los para ninguém… e, nesse aspecto, acho que a OR tem um papel que pode ser bastante encorajador, que é o de ser uma opinião válida, mas desconhecida! Eu, que sou autor e que acho que escrevo coisas legais, tenho a possibilidade de mandar os meus textos para pessoas que entendem do assunto e que não me conhecem, opinarem. Se essas pessoas gostarem, ótimo! Se não gostarem, pelo menos não passei vergonha com os meus amigos e nem obriguei meus pais a me dizerem que escrevo bem… rs

9- A OR foi benéfica para a sua carreira? Se sim, quanto e como?

Olha… benefício direto mesmo, acho que não tive nenhum, ainda que contar como foi idealizar e colocar em prática um projeto que está completando 10 anos faça algum sucesso com o RH nas entrevistas de emprego! Mas com certeza participar da OR contribuiu bastante para me amadurecer profissionalmente. A Originais foi uma das primeiras vezes que senti como seria realmente ter um trabalho sob minha responsabilidade, sem nenhum chefe ou professor por trás para corrigir o que não desse certo… além disso, acho que a OR foi uma oportunidade incrível de aprender a trabalhar em equipe, a confiar no trabalho dos amigos e a dividir e cobrar responsabilidades… e, principalmente, acho que ela foi essencial para perceber que, muitas vezes, para colocarmos nossas ideias malucas em prática, a gente só precisa acreditar bastante nelas e arregaçar as mangas!

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